No lugar onde trabalho as janelas de vidros escuros estão sempre fechadas, assim como as persianas.
Daí eu, cegada pelas luzes brancas e artificiais passo as horas na frente do computador, sentada embaixo da saída de ar. Condicionado, claro.
Meu único contato com o mundo é a janelinha do banheiro, pequena e sempre aberta. Por ela eu sinto o vento fresco da primavera e as gotas de chuva no final da tarde. Por ela eu ouço as crianças brincando e cantando na escola, as risadas dos amigos. E o meu coração bate apertado, querendo ser gente de novo.
Mas não tem jeito, eu volto depressa para meu posto.
É que o banheiro deve ser breve no mundo corporativo.
Na casa toca: Safe and sound, Azure Ray
